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  Cabal, Senhor de Dyfed

por Afonso Xabier Canosa

APRESENTAÇÃO

No ano 1994, acabada a licenciatura de galego-português (dentro de filologia hispânica, na Universidade de Santiago de Compostela), comecei a estudar a língua galesa. Antes aprendera algo do bretão, língua muito próxima e emparentada, até o ponto de haver intercompreensão ainda no fim da Idade Média. O motivo de começar o estudo desta para mim nova língua era a minha estadia de um ano académico no País de Gales. Com um manual para a aprendizagem desde o nível inicial para anglófonos, uma gramática avançada em inglês e uma gramática breve em francês, cheguei ao meu destino sendo capaz de criar orações simples para o presente, pasado e futuro, expressar desejos e gostos. Muito pouco. Mas suficiente para que fora possível, desde a minha chegada, falar um algo em galês se eu quisesse. Porque desde o primeiro momento pude falar galês. As pessoas que me receberam eram falantes deste idioma britânico.

Em seguida incorporei-me a aulas, duas horas diárias, e mais algum curso intensivo. Foi este contorno o que me permitiu aprender a língua. E também o estímulo que manteve o meu interesse até o dia de hoje. A todas as pessoas que me acolheram, que me ensinaram a língua, que fizeram o esforço de me compreender e se fazerem compreender, é que eu devo a presente tradução.

Devo dizer, não obstante, que ainda no presente não falo nem entendo bem a nível oral. Leio com esforço e a ajuda de um dicionário e uma gramática. Precisamente para fortalecer e melhorar o aprendido, é que há anos acometi a leitura de uma colecção de histórias conhecidas como os Mabinogi, peça-chave da literatura galesa e universal. Apenas li a primeira parte e três relatos mais sem continuidade. Posteriormente comecei a ler detidamente, reparando no léxico. Pouco a pouco. Limitei o meu interese à primeira parte. Ainda depois entrei numa análise sintáctica e morfológica atendendo também a aspectos evolutivos. O estudo era cada vez mais exaustivo, e comecei a fazer uma tradução literal como modo de fixar o que ia trabalhando.

Consultei introduções de traduções noutras línguas -na procura de bibliografia e contextualização histórica -, mas para a presente tradução não li estes relatos mais do que em galês. Faço esta advertência inicial para indicar que as páginas que seguem são sobretudo um exercício próprio de aprendizagem da língua e mais ensaio de técnicas que aprendi como resultado dos meus estudos de filologia. De nenhum modo são uma tradução que cotejou todos os textos existentes. Nem uma tradução literária ou que pretenda sê-lo. É a tradução de um lingüista que, além disso, persegue fins lingüísticos fazendo-a. Pode ter erros de interpretação como resultado do meu desconhecimento de particularidades gramaticais e a dificuldade própria da língua e do texto -que não é pouca. Mas, isso sim, tenho trabalhado o suficiente como para considerar que, dentro da sua literalidade, está bastante aproximada ao original.

A base inicial da presente tradução é uma versão contemporânea, de Dafydd e Rhiannon Ifans. Ao pouco de começar o estudo léxico pude consultar na Internet o manuscrito conhecido como Livro Vermelho. Quando estava com esta tradução presente, reparei que a Biblioteca Nacional de Gales pôs accessível online o Livro Branco. Ambos manuscritos são as principais fontes para as traduções das histórias referidas como Mabinogi. Ter os originais para consulta permitiu contrastar o texto base e ver divergências que me ajudaram a compreender melhor. Há que dizer que têm uma coincidência plena no significado, apenas na sintaxe e léxico é que há algumas actualizações consideráveis (ademais da harmonização e actualização ortográfica), que em todo caso, o que fazem é melhorar a compreensão dos originais.

Procurei sempre fazer uma tradução o mais literal possível, por isso incluo às vezes arcaísmos para utilizar formas do galego-português que são mais próximas ou reflectem melhor o original. A medida que ia traduzindo ia estudando o léxico e sintaxe, fazendo consultas aos manuais, que fui anotando em notas ao pé de página. São comentários que apenas têm interese para mim, mas que me parecia importante deixar por escrito para voltar sobre eles num futuro. Outros simplesmente reflectem cláusulas que no seu momento me apresentavam alguma dúvida, como um modo de destacá-las para encontrá-las mais facilmente ao fazer revisão. Nalgum caso, os menos, são notas explicativas pensadas já num público leitor, como modo de facilitar a compreensão do texto.

Na versão final suprimirei a maior parte do aparato crítico, mas, de momento é de utilidade.

Outro tanto acontece com as abreviaturas. Primeiro elaborei-as sem índice nenhum, como um modo de escritura o mais rápido possível, seguindo as convenções que utilizava nos apontamentos universitários. Dado que cada vez necessitava mais, fui fazendo um índice para organizá-las e mesmo poder consultá-las, porque às vezes o contexto podia fazê-las ambíguas quando, transcorrido o tempo, voltava a lê-las.

Todo este aparato crítico está sem sistematizar, já que logo, porque é uma ferramenta mais de trabalho que se vai criando conforme vou avançando. Em todo caso, decido incluí-lo neste rascunho porque possa que alguns pontos sejam de interese e também como um modo de indicar que ainda tenho de volver sobre o texto.

E chego aonde queria ir. O presente rascunho é um trabalho inacabado, mas já suficientemente robusto como para eu me atrever a divulgá-lo. Pretende apenas servir como modo de recibir comentários sobre o que estou a fazer bem e o que não, pois que careço de elemento nenhum de contraste.

Nestes últimos tempos vivo um algo apartado, dedicado ao trabalho - nestes últimos ano na construção, - apenas tenho contacto com colegas filólogos. Algum amigo selecto e para isso, quando nos vemos, com tão pouco tempo e tanto que contar que não se repara um nos assuntos que tocam ao trabalho filológico que estou a desenvolver.

Assim que este é um modo de obter feed-back. Pode ser que haja linhas de trabalho coincidentes que possam ajudar a outros colegas e deste modo beneficiar-me também eu do seu trabalho, ou erros consideráveis que eu não vejo, ou simplesmente, é um modo de receber esses ánimos que são tão precisos quando um acomete um trabalho destas características. Fazer filologia, e mais se um trabalha só, é um verdadeiro exercício de disciplina. Requer muitíssimo esforço, força de vontade e horas de trabalho. Apenas há outra fórmula que eu conheça.

Saúdo, pois aos colegas que me leiam.

 


Agradecementos:


O texto foi corrigido por Antonio Domínguez Carregal que o adaptou ao standard lusófono e me ofereceu numerosos comentários e sugestões que determinaram em grande medida o resultado final.

Agradeço também ao prof. Henrique P. Rodrigues (AGAL, Fac. Filologia de Vigo) os seus comentários sobre modos de tradução.


Finalmente dedico este trabalho e a continuação da série ao Prof. François Soler. (http://www.umoncton.ca/soeler/galiza.htm).

Recibo correio-e em alfonsojaviercr@yahoo.com ou axab@aeiou.pt.

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